Você É ou ESTÁ religioso?
Como saber onde se está nessa pergunta? Se bem que as vezes nem se quer estar em algum lugar não é mesmo? Basta ir, frequentar, rezar e sentir que está com a proteção Divina. Vou apresentar uma sugestão de posicionamento, se é que isso é possível, dessa prática que é ser religioso. A rotina é a de um espírita, mas poderia ser qualquer outra pessoa que tivesse uma vida religiosa e que acreditasse que há algo mais além da morte, que mais cedo ou mais tarde vai se acordar ou ser acordado em um outro momento de sua vida e tomar consciência de seu último caminho e caminhada.
Ao se frequentar uma casa espírita não é necessário muito tempo para perceber que basicamente existem três personagens: o primeiro (vou chamar de Carmelo) é aquele que vai para o passe e a palestra, e as vezes, por orientação de uma das atividades da casa, faz uma sequência de desobsessão ou passe magnético; o segundo (Plínio) é aquele que pode fazer o que Carmelo faz e, após participar de um curso chamado de Escola de Médiuns, participa de um Grupo de Estudos e o último (Eliseu) é aquele que também pode praticar as atividades de Carmelo e de Plínio e também participando de encontros ou cursos internos trabalha na casa espírita. Isso quer dizer que uns são menos "abençoados" que outros? Não, é claro que não! Longe disso. Cada um tem o compromisso que pode, no tempo e na crença que julga ser melhor pra si. E o mais legal de tudo é que o Ser e o Estar espírita está em qualquer uma destas três opções.
Nestes três perfis o que é comum inicialmente? O comum é que a pessoa vai, obviamente, para a casa espírita no dia certo da semana e chegando lá tem o privilégio de falar com seus amigos sobre o dia-a-dia, sobre seus alegrias, sonhos, dores, culpas e medos do que aconteceu durante o tempo que não se viram, rir um pouco (ou muito) e se tiver possibilidade... tomar um cafezinho ou fazer um lanche antes de iniciar seu ritual de atendimento ou participação.
Mas o que é ESTAR espírita?
O seu Carmelo é aquele que dá um "oi" para os irmãos e trabalhadores espíritas, lê um livro, fica em uma fila com aquela paciência de Jó, até chegar a sua vez para tirar a ficha de atendimento e seguir adiante para um salão onde irá assistir a palestra. Ele fica sentado e espera a oração inicial em silêncio (está espalhado em todos os lugares – "Permaneça em silêncio e em oração"), vê a chegada da pessoa que irá fazer a palestra e fica na expectativa do assunto que vai ser apresentado, ele ouve atentamente – e as vezes balança a cabeça afirmativamente e comenta baixinho confirmando o que foi dito para dona Antônia, sua esposa. Ao final da palestra se sente melhor com o conhecimento recebido, por fim, chegam os trabalhadores da casa e recebe o passe coletivo. Dali seguirá para o atendimento conforme a ordem de sua numeração ou irá embora pra casa, mais leve e como cantava Belchior: "com a sensação da missão cumprida". No caso do Plínio tem um dia que ele não entra na fila e nem vai para a palestra, apenas segue em direção ao Grupo de Estudos e Educação Mediúnica onde abraça seus amigos e irmãos de grupo que se reúne por uma hora e meia. Ali normalmente as atividades são divididas em dois momentos: de estudos e o de comunicação mediúnica, antes de iniciar fecham os olhos e dão as mãos na hora da oração, é a hora de por em prática o que aprendeu, é quando realizam suas tarefas. Ouve atentamente as palavras de acolhimento do dirigente e do coordenador de estudos e iniciam seus trabalhos com a apresentação de algum tópico, leitura do evangelho do dia ao ler Evangelho Segundo o Espiritismo ou de um trabalho previamente acertado, depende muito da dinâmica que o dirigente combina com o grupo. Finalizado os primeiros quarenta e cinco minutos inicia o último período; É o trabalho de aprendizado na comunicação com o mundo espiritual e se faz através das manifestações de espíritos previamente selecionados pelos mentores espirituais do grupo ou aqueles que a egrégora do grupo permite chegar – o que nem sempre é a mesma coisa – através dos médiuns ou dos agentes PSI, ou ainda pode ser aquele que atua como auxiliar no equilíbrio da corrente mediúnica. Ao final dos trabalhos é feita uma oração de agradecimento a todos que se fizeram presentes. As vezes estes grupos se permitem a fazer a comemoração dos aniversários do mês, por exemplo, e ali confraternizam. Após, todos vão embora, há aqueles que previamente tiram (ficaram na fila) uma ficha para atendimento nas cabines (passe, desobsessão, passe magnético, saúde, orientação...) e vão permanecer na casa, os outros seguem para seus lares mais leves e tranquilos. E o Eliseu? Esse é aquele que trabalha na Casa Espírita, pode atuar nas cabines como trabalhador ou coordenador (o responsável perante os gestores da casa e pelos resultados que acontecem), nos Grupos de Estudo pode ser o dirigente ou coordenador de estudos, no administrativo (recepção, cadastro, financeiro, ...), ou como palestrante, Eliseu é um daqueles que mantém a casa, é o sócio que auxilia através de mensalidades e doações. É uma das pessoas que atendem a todos os que chegam e batem a porta, seja pedindo um prato de comida, roupas ou atendimento espiritual. Eliseu também podem ter os mesmos momentos de Carmelo e Sérgio pois, como dizem: "sem ir ao Centro Espírita e sem participar dos estudos regulares não se faz um espírita".
E assim todos fazem suas tarefas e o que entendem ser possível para os seus propósitos e sobre a religião. E quanto mais tempo num espaço destes mais a pessoa se engaja nas atividades e mais busca manter a casa aberta para recepcionar àqueles que necessitam de palavras e ações para aliviar dos seus fardos. Estar espírita é compreender que a casa e a religião ali praticada são feitas por pessoas e todas são passíveis de erros. É compreender que sobre o mesmo ponto, mas sob um prisma diferente, as brigas e discussões sobre o que é melhor para a casa e o que deve ali ser praticado, são argumentações que os participantes fazem sob o olhar terreno, das coisas que mantém a roda girando.
Todos, em um certo momento, vão pra casa, atendem os familiares, auxiliam no que podem, antes de dormir fazem suas orações, ao acordar tomam seu café (se é esse o costume), seguem para o trabalho, voltam pra casa, dois ou três dias depois voltam o Centro Espírita para serem auxiliados pelo passe e/ou pela desobsessão, conversam com os amigos e voltam pra casa, e...
Mas o que é SER espírita?
É Estar espírita participando com o perfil de qualquer um dos três personagens mas é também se dar conta do que deve transformar (ou deixar de lado) em sua vida interior e o que deve adquirir para que aconteçam modificações no próprio modo de ver, sentir e viver com as coisas do mundo e com as coisas espirituais em equilíbrio. É entender que participar de atividades numa casa espírita não o torna isento de algum tipo de perseguição espiritual e nem receberá créditos para viver melhor fora da casa - as vezes nem na casa se sente bem - e que o Criador não perdoa os "pecados" pelo simples fato de auxiliar a atravessar uma idosa na rua, dar uma comida para quem precisa ou ler uma história para uma criança dormir. Ser espírita é também fazer isso mas é saber por que faz. É por autocompreensão, por crescimento como pessoa, para reduzir seus preconceitos, é apenas por achar justo e certo e não por que está escrito em algum lugar? Ser espírita é também aquele que em algum momento faz as seguintes perguntas pra si:
O que faço me dá prazer em fazer?
Estou aqui para ser aceito por um grupo, me "limpar" das energias negativas que recebi na semana ou para me reconhecer e me aceitar como pessoa que crê na imortalidade da alma seja no grupo ou fora dele?
Elas ajudam a saber onde estamos entre o Ser e o Estar e se fica sabendo que pelo simples fato de responder inicia um compromisso com mudanças internas. Ser espírita é também aceitar as condições físicas e espirituais ao querer identificar se é um médium um agente PSI, é simplesmente querer estar ali porque se sente em paz e com Deus e quer orar para agradecer o que recebeu ou todas estas alternativas.
Nota que ESTAR é fazer coisas para que fora de si se concretizem enquanto que SER é fazer coisas para que dentro de si apareçam e fiquem mais claras, é se dar conta que que a zona de conforto não é tão confortável assim.
Estar espírita é receber um presente no aniversário, Ser espírita é receber um abraço com aquela emoção que só a saudade nos permite sentir.
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